Terceiro workshop de campo reúne 60 pessoas no Pátio do Terço
O único percurso aberto ao público geral aconteceu com intérprete de Libras e audiodescrição ao vivo, e terminou com nove pontos novos propostos pelos próprios participantes.
A saída estava marcada para as nove da manhã de um sábado, e às oito e quarenta já havia fila na inscrição. Dos três workshops de campo previstos no projeto, este era o único aberto ao público geral — os dois primeiros foram dirigidos a professores da rede e a profissionais de museus e patrimônio. A diferença ficou clara na composição do grupo: moradores do bairro, estudantes de licenciatura, guias de turismo, duas famílias com crianças e um grupo de sete pessoas surdas que chegou junto.
O percurso seguiu a rota Cais do porto negreiro ao Pátio do Terço, doze pontos ao longo de dois quilômetros. A cada parada, a mediação era feita em três camadas simultâneas: a fala da pesquisadora, a interpretação em Libras e a audiodescrição transmitida por rádio-receptor para quem estava com fone. Não é um arranjo simples de operar em rua movimentada, e valeu como teste real do que o projeto defende no papel.
A parte final da atividade foi de registro. Em duplas, os participantes usaram o aplicativo para propor pontos que não estavam no mapa — e apareceram nove propostas: uma antiga casa de farinha, dois sobrados de aluguel coletivo, a esquina onde funcionava uma barbearia que servia de ponto de encontro sindical, e mais cinco endereços ligados a memória de trabalho e fé. Todas entram agora na fila de curadoria, com checagem de fonte antes de irem ao ar.
Duas coisas ficaram anotadas para os próximos percursos. A primeira é de infraestrutura: a audiodescrição por rádio exige um ponto de silêncio a cada parada, e três das doze paradas eram barulhentas demais. A segunda é de conteúdo: o interesse do público geral se concentrou menos na arquitetura e mais nas histórias de trabalho e de vizinhança, o que sugere reequilibrar o roteiro na próxima versão.
“Passo por essa esquina desde criança e nunca soube que ali funcionava um mercado de gente. Isso deveria estar escrito na parede.”
Participante, moradora da Rua do Bom Jesus
Registro fotográfico
6 imagens · acervo do projetoQuer fazer esse percurso com sua turma?
A rota está aberta no site e no aplicativo, com roteiro para uso em sala de aula.
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